Atualização e aprendizados do incêndio no Shopping Tijuca
Figura - Incêndio no Shopping Tijuca e Não Conformidades relatadas antes do incêndio.
Atualização e aprendizados do incêndio do Shopping Tijuca:
A situação do Shopping Tijuca, nesta quarta-feira, 7 de janeiro de 2026, permanece crítica e sob alerta máximo das autoridades. Quatro dias após o início do incêndio, a temperatura no epicentro do fogo, no subsolo, ainda registra cerca de 70°C, um calor residual que impede a conclusão da perícia técnica definitiva pela Polícia Civil. Uma análise preliminar da Defesa Civil Municipal já resultou na interdição total do subsolo e de 17 lojas no andar térreo devido à deformação de uma laje e ao risco de queda de revestimentos. A delegada Cristiana Onorato, responsável pela 19ª DP (Tijuca), afirmou que a estrutura está tão comprometida que será necessário realizar o escoramento das lajes antes que os peritos possam entrar com segurança na loja Bellart para determinar a causa exata do sinistro.
Além dos riscos estruturais, depoimentos de dois bombeiros militares que integraram equipes de apoio ao quartel da Tijuca — o primeiro a chegar ao local — revelam, sob condição de anonimato, uma série de falhas graves e desorganização nas primeiras horas da operação. Um dos agentes relatou surpresa com a condução da situação, afirmando que a estratégia inicial destoou dos protocolos da corporação, que priorizam a busca por vítimas antes do combate às chamas. Segundo o relato, bombeiros atuavam sem a devida retaguarda, e a falta de acesso imediato à planta do prédio impediu que as equipes soubessem como chegar à loja de origem ou a pontos estratégicos do shopping, gerando momentos de extrema tensão sob visibilidade mínima devido à fumaça densa e branca.
O depoimento aponta ainda que a grande quantidade de fumaça comprometeu severamente o resgate, obrigando os agentes a operarem em duplas com cilindros de oxigênio que, devido ao calor extremo, duravam por vezes apenas dez minutos. Os militares questionaram a demora no acionamento do Corpo de Bombeiros e a falha no isolamento da área externa, que só ocorreu com a chegada da Polícia Militar e da CET-Rio. Segundo os relatos, os clientes demoraram a ser informados, o alarme não foi acionado rapidamente e as pessoas evacuadas ficaram expostas na entrada do shopping sem o devido distanciamento de segurança. Essas revelações somam-se às denúncias do Sindicato dos Bombeiros Civis, que cobra justiça pela morte de Emellyn Silva Aguiar Menezes e Anderson Aguiar do Prado, reforçando a tese de que falhas sistêmicas e operacionais transformaram um incêndio em uma tragédia sem precedentes na Zona Norte do Rio.
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Documentos e e-mails que já estão em posse da polícia indicam que Anderson Aguiar do Prado, supervisor de segurança do shopping, e a brigadista Emellyn Silva, que morreram no incêndio, tinham identificado diversas irregularidades.
A existência do documento foi revelada pelo jornal O Globo e confirmada pela TV Globo.
No dia 27 de dezembro de 2025, às 8h39, Anderson enviou um e-mail para outro funcionário do shopping:
“Boa noite!
Em vistoria realizada nas casas de máquinas e estoques da Loja Bell’Art foi verificado que algumas irregularidades (fiação exposta, empilhamento inadequado, sistema de detecção do mezanino) permanecem. O descuido em atender as normas de segurança pode resultar em acidentes graves de incêndio.”
Cerca de uma hora depois, esse mesmo funcionário respondeu:
“Time, boa noite! Após diversas tentativas de contato, inclusive com notificações formalmente entregues, a situação da Bell’Art permanece crítica, conforme evidenciado no anexo encaminhado.”
No dia 29 de dezembro de 2025, os riscos foram informados novamente à loja:
"Por gentileza, peço apoio de vocês quanto a devida tratativa e solução imediata vide o risco
Um relatório detalhado, feito por Emellyn e Anderson reportava uma série de riscos para um incêndio a partir do estabelecimento:
“As casas de máquinas inspecionadas estão servindo como estoques e os locais de armazenamento de produtos estão abarrotados de mercadorias. Essas ações potencializam os riscos de incêndio, uma vez que todos os detectores do piso superior estão inoperantes e os materiais estocados, além de desorganizados, estão acima dos chuveiros automáticos (Spk)". O documento cita que a loja não têm chuveiros automáticos e as sinalizações estavam obstruídas.
Outro trecho aponta problemas graves no estoque:
“Espaço sendo utilizado como estoque de travesseiros e com fiações presas com fita isolante no MDF (material que, geralmente, leva resina e outros componentes químicos em sua estrutura), detector de fumaça desmontado e extensão de três tomadas.”
Os documentos também registram que as luminárias de emergência, cruciais para casos de evacuação, estavam soltas, e que “a área em que ficam os diques e as bombas de sucção tinha material combustível, como madeiras e plástico”
Problemas identificados em dezembro
Uma vistoria feita em dezembro de 2024 no Shopping Tijuca apontou irregularidades na prevenção a incêndios da Bell'art. Os técnicos do shopping apontaram problemas como:
Pendência elétrica
Ausência de detectores no mezanino, que era utilizada como depósito
Caixas empilhadas muito próximas aos sprinnklers, aqueles equipamentos contra incêndio
O prazo dado para a resolução dos problemas da loja foi de três dias.
Nota do Shopping Tijuca:
O shopping tem Certificado de Aprovação (CA) válido e emitido pelos bombeiros, o que inclui a aprovação das instalações dos sistemas de emergência e sinalização, conhecimento da planta do empreendimento. O plano de evacuação também foi aprovado pelos bombeiros, o que garantiu a saída segura de 7 mil pessoas que estavam no shopping com segurança.
Como praxe na nossa indústria, os planos de fuga são desenvolvidos por empresas credenciadas junto o Corpo de Bombeiros, considerando a norma internacional NFPA e a nacional NBR, além de Instruções Técnicas do Corpo de Bombeiros do estado do Rio de Janeiro, e a infraestrutura específica de cada empreendimento. Posteriormente, esse plano é verificado e testado, para a aprovação e concessão do CA. Cabe ressaltar que todos os simulados de abandono feitos pelo shopping contam com participação da corporação.
Na última sexta-feira, durante o incêndio na loja Bell'Art, todos os protocolos de emergência foram cumpridos.
Sobre o acionamento do Corpo de Bombeiros, o shopping informa que fez três ligações, a primeira delas foi às 18h12 e a última, às 18h22, conforme os registros do sistema de comunicação. A loja Bell'Art, local do incêndio, foi evacuada em cinco minutos, já com os primeiros combates em andamento pela brigada.
O subsolo (área crítica naquele momento, onde se encontrava a referida loja), foi evacuado em doze minutos, antes mesmo da chegada dos bombeiros. A partir disso, os seis pisos superiores começaram a ser evacuados de forma gradual, evitando acidentes que poderiam ser eventualmente causados pelo pânico de uma correria. Importante ressaltar que as duas únicas vítimas foram nossos funcionários heróis, que permaneceram atuando no primeiro combate.
Reforçamos que 7 mil clientes, colaboradores e lojistas foram evacuados em segurança, seguindo as orientações das equipes de segurança, brigadistas, funcionários e bombeiros. Importante ressaltar que não houve tumulto, pisoteamento, empurra-empurra e demais riscos como uma situação tão crítica como essa poderia trazer.
Vídeos do histórico do incêndio:
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Prevenção de Tragédias e Acidentes Maiores
É necessário desenvolver estudos aprofundados sobre grandes acidentes/tragédias, descobri que existem poucos estudos de destaque nesta área, quando desenvolvi minha tese de doutorado, assim como Vaughan em 1999 em um artigo sobre o lado negro das Organizações. É importante compreender como ocorre a Construção Social dos Riscos e congregar as contribuições da Engenharia, da Sociologia e da Psicologia sobre este tema, o Fator Humano/Erro Humano é a ponta do Iceberg, uma proposta neste sentido com o objetivo de Prevenir Acidentes Graves em:
Mais em:
https://gestaoproativawb.blogspot.com/2023/05/capacitacao-e-mentoria-inicial-do-curso.html
e link com as etapas do TAOS:
https://youtube.com/shorts/iTFYXGkzGZY?si=MJvmsMBcygfvxxcL
A "SEGURANÇA" É CONSTRUÍDA SOCIOTECNICAMENTE.
Saudações,
Prof. Eng. Washington Barbosa, DSc COPPE/UFRJ, Prevenção de Acidentes Maiores através da Abordagem da Segurança Proativa (ASP), desde 1984 atuando em Organizações nas Funções de Gestão, Técnica e Operacional
Protagonista em Aprimorar as Operações e a Segurança nas Organizações através da Segurança Proativa, Contemporânea e Impulsionadora das Organizações, e das Tecnologias da Abordagem da Segurança Proativa (ASP) e Times de Aprimoramento das Operações e Segurança (TAOS)







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