Engenharia da segurança proativa: integração sociotécnica e gestão sistêmica Blog Prevenir Tragédias Revista Proteção Por Washington Barbosa 14/01/2025

 


Engenharia da segurança proativa: integração sociotécnica e gestão sistêmica

Blog Prevenir Tragédias 

Revista Proteção 

Por Washington Barbosa

14/01/2025

A Segurança do Trabalho contemporânea atravessa uma mudança fundamental de paradigma, migrando de modelos reativos para a abordagem da segurança proativa.

Com base nesta perspectiva, a segurança não é apenas a ausência de acidentes, mas sim uma presença de uma gestão organizacional eficiente. Este modelo propõe que a integridade operacional depende da compreensão profunda das forças que moldam o risco e a gestão organizacional, sendo fundamental adaptar e agir de forma proativa, antes que a falha se materialize.

Abordagem sociotécnica estruturada

No cerne desta metodologia está a Abordagem Sociotécnica Estruturada. Ela divide as forças influenciadoras em dois grandes grupos.

A primeira delas, as variáveis endógenas, são internas à organização e incluem o fator humano (competências e estado psicofisiológico), o fator organizacional (liderança e gestão organizacional) e o fator tecnológico (integridade de máquinas e processos).

Já as variáveis exógenas representam pressões externas que atuam no sistema, como pressões sociais e econômicas por produtividade, eventos da natureza, legislações rigorosas e outras flutuações de mercado.

O acidente, nesta visão, é o resultado do desequilíbrio no qual as pressões exógenas superam as defesas endógenas, tornando o “erro humano” apenas um sintoma final de uma falha sistêmica prévia.

Gestão dinâmica da segurança

Para gerenciar essa complexidade, utiliza-se a gestão dinâmica da segurança, que monitora a oscilação do risco através de três níveis operacionais.

Nível de normalidade: ocorre quando a gestão organizacional está adequada e a operação flui conforme o planejado.

Nível de alerta: surge quando “sinais fracos” e incidentes sem perda indicam que a margem de segurança está se reduzindo; é o momento crítico para a intervenção proativa.

Nível de acidente: representa a ruptura total das defesas. A gestão dinâmica exige que a empresa tenha sensibilidade para detectar a transição da normalidade para o alerta, agindo nas variáveis internas para evitar o colapso.

Visão sistêmica

A eficácia desse modelo depende de uma visão sistêmica da segurança, que integra a prevenção a todas as áreas da empresa.

A segurança deve estar conectada à produção e logística para equilibrar prazos e segurança; ao RH para desenvolver o capital humano; ao financeiro para garantir investimentos em tecnologias resilientes; e à manutenção para assegurar a confiabilidade técnica.

Quando a segurança é vista como um valor transversal, ela deixa de ser um custo e passa a ser uma estratégia de sustentabilidade e aprimoramento organizacional.

Em conclusão, a segurança proativa apresenta uma proposta validada para a preservação da vida e do patrimônio, baseada em conceitos teóricos e análise de estudos de casos de acidentes ampliados.  Ao equilibrar as variáveis sociotécnicas, monitorar dinamicamente os níveis de risco e integrar a segurança sistemicamente em toda a estrutura organizacional, as empresas migram a postura de apenas “apagar incêndios”, para uma gestão resiliente, capaz de antecipar crises e de transformar o aprendizado operacional no aprimoramento organizacional.

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Prevenção de Tragédias e Acidentes Maiores 

É necessário desenvolver estudos aprofundados sobre grandes acidentes/tragédias, descobri que existem poucos estudos de destaque nesta área, quando desenvolvi minha tese de doutorado, assim como Vaughan em 1999 em um artigo sobre o lado negro das Organizações. É importante compreender como ocorre a Construção Social dos Riscos e congregar as contribuições da Engenharia, da Sociologia e da Psicologia sobre este tema, o Fator Humano/Erro Humano é a ponta do Iceberg, uma proposta neste sentido com o objetivo de Prevenir Acidentes Graves em:

https://www.researchgate.net/publication/376613455_Ebook_Capacitacao_na_Prevencao_de_Acidentes_Maiores_atraves_da_Abordagem_da_Seguranca_Proativa_O_Fator_e_o_Erro_Humano_sao_a_Ponta_do_Iceberg

Mais em:

https://gestaoproativawb.blogspot.com/2023/05/capacitacao-e-mentoria-inicial-do-curso.html

e link com as etapas do TAOS:

https://youtube.com/shorts/iTFYXGkzGZY?si=MJvmsMBcygfvxxcL

A "SEGURANÇA" É CONSTRUÍDA SOCIOTECNICAMENTE.

Saudações,

Prof. Eng. Washington Barbosa, DSc COPPE/UFRJ, Prevenção de Acidentes Maiores através da Abordagem da Segurança Proativa (ASP), desde 1984 atuando em Organizações nas Funções de Gestão, Técnica e Operacional

Protagonista em Aprimorar as Operações e a Segurança nas Organizações através da Segurança Proativa, Contemporânea e Impulsionadora das Organizações, e das Tecnologias da Abordagem da Segurança Proativa (ASP) e Times de Aprimoramento das Operações e Segurança (TAOS)





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