Segurança além do Acidente: Llory, Rasmussen e a Engenharia da Segurança Proativa de Washington Barbosa
Segurança além do Acidente: Llory, Rasmussen e a Engenharia da Segurança Proativa de Washington Barbosa
A compreensão contemporânea da segurança em sistemas sociotécnicos complexos evidencia os limites das abordagens tradicionais, historicamente centradas na análise do acidente após sua ocorrência. Grandes tragédias demonstram que eventos catastróficos raramente decorrem de falhas isoladas ou de erros individuais, sendo, na realidade, o resultado de processos organizacionais e decisórios que se constroem de forma gradual ao longo do tempo. É nesse contexto que as contribuições de Michel Llory e Jens Rasmussen oferecem bases fundamentais para a formulação da Engenharia da Segurança Proativa, desenvolvida por Washington Barbosa.
Michel Llory demonstra que o acidente é, antes de tudo, um fenômeno organizacional. Suas análises evidenciam que as organizações produzem as condições para a catástrofe ao normalizarem desvios, tolerarem fragilidades e priorizarem objetivos produtivos em detrimento da segurança. O acidente não representa uma ruptura inesperada da normalidade, mas o desfecho previsível de uma normalidade degradada, construída silenciosamente por decisões, práticas e omissões acumuladas ao longo do tempo. Essa perspectiva desloca o foco da busca por culpados para a compreensão das trajetórias organizacionais que antecedem o evento.
Jens Rasmussen amplia essa leitura ao propor uma abordagem sistêmica e multinível do risco. Seu modelo evidencia como decisões tomadas nos níveis estratégico, regulatório e gerencial moldam o trabalho operacional e induzem o sistema a uma migração progressiva em direção aos limites de desempenho aceitável. Pressões por eficiência, redução de custos e cumprimento de metas empurram o sistema para operar cada vez mais próximo de suas fronteiras seguras, até que um pequeno desvio seja suficiente para desencadear o acidente. O risco, nesse sentido, não é estático, mas continuamente produzido pelas adaptações do sistema.
A Engenharia da Segurança Proativa, proposta por Washington Barbosa, dialoga diretamente com essas contribuições e avança ao transformar esse arcabouço teórico em uma abordagem orientada à antecipação. Em vez de aprender apenas com o acidente consumado, a Segurança Proativa busca identificar sinais fracos, desvios normalizados e fragilidades latentes durante a operação cotidiana. A segurança passa a ser compreendida como uma propriedade dinâmica do sistema, construída continuamente a partir da observação do trabalho real, da análise das decisões organizacionais e do monitoramento das barreiras de proteção, com o objetivo de impedir que tragédias se tornem possíveis antes que se materializem em perdas humanas, ambientais e sociais.
Prevenção de Tragédias e Acidentes Maiores
É necessário desenvolver estudos aprofundados sobre grandes acidentes/tragédias, descobri que existem poucos estudos de destaque nesta área, quando desenvolvi minha tese de doutorado, assim como Vaughan em 1999 em um artigo sobre o lado negro das Organizações. É importante compreender como ocorre a Construção Social dos Riscos e congregar as contribuições da Engenharia, da Sociologia e da Psicologia sobre este tema, o Fator Humano/Erro Humano é a ponta do Iceberg, uma proposta neste sentido com o objetivo de Prevenir Acidentes Graves em:
Mais em:
https://gestaoproativawb.blogspot.com/2023/05/capacitacao-e-mentoria-inicial-do-curso.html
e link com as etapas do TAOS:
https://youtube.com/shorts/iTFYXGkzGZY?si=MJvmsMBcygfvxxcL
A "SEGURANÇA" É CONSTRUÍDA SOCIOTECNICAMENTE.
Saudações,
Prof. Eng. Washington Barbosa, DSc COPPE/UFRJ, Prevenção de Acidentes Maiores através da Abordagem da Segurança Proativa (ASP), desde 1984 atuando em Organizações nas Funções de Gestão, Técnica e Operacional
Protagonista em Aprimorar as Operações e a Segurança nas Organizações através da Segurança Proativa, Contemporânea e Impulsionadora das Organizações, e das Tecnologias da Abordagem da Segurança Proativa (ASP) e Times de Aprimoramento das Operações e Segurança (TAOS)

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