Riscos no Turismo de Aventura: Acidente Fatal na Pedra do Macaco, Maricá (RJ), em 28 de Junho de 2026 Reforça a Importância da Prevenção

 

Riscos no Turismo de Aventura: Acidente Fatal na Pedra do Macaco, Maricá (RJ), em 28 de Junho de 2026 Reforça a Importância da Prevenção

Meus sentimentos aos familiares e amigos do acidentado.

Resumo

O acidente fatal ocorrido durante uma trilha na Pedra do Macaco, em Maricá (RJ), no dia 28 de junho de 2026, reforça a necessidade de fortalecer a gestão de riscos nas atividades de turismo de aventura. O crescimento do número de praticantes de trilhas, escaladas e caminhadas em ambientes naturais aumenta a exposição a perigos como quedas em altura, mudanças climáticas repentinas, desorientação e dificuldades de resgate. Este artigo analisa o acidente a partir das informações divulgadas pela imprensa, apresenta um panorama dos acidentes em turismo de aventura no Brasil e no mundo, relembra ocorrências semelhantes e discute medidas preventivas fundamentadas na Engenharia de Segurança Proativa de Washington Ramos Barbosa.

Introdução

O turismo de aventura consolidou-se como um dos segmentos de maior crescimento do setor turístico nas últimas décadas. Trilhas, montanhismo, escaladas e caminhadas em áreas naturais atraem milhões de pessoas todos os anos, mas também aumentam a exposição a riscos naturais e operacionais.

Segundo informações divulgadas pelo G1, no domingo, 28 de junho de 2026, um homem de 44 anos morreu após sofrer uma queda de aproximadamente 150 metros durante uma trilha na Pedra do Macaco, localizada em Maricá (RJ) (G1, 2026). A operação de resgate mobilizou equipes do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil devido à dificuldade de acesso ao local, evidenciando a complexidade das ocorrências em ambientes naturais.

O acidente reforça que o turismo de aventura deve ser acompanhado por uma gestão sistemática dos riscos, baseada na prevenção, na preparação dos praticantes e na melhoria contínua das condições de segurança (ABNT, 2019).

Desenvolvimento

De acordo com as reportagens, a vítima participava da trilha quando sofreu uma queda em uma área de penhasco da Pedra do Macaco. O resgate exigiu técnicas especializadas em salvamento em altura, utilização de cordas e apoio de aeronave, sendo concluído após várias horas devido às dificuldades impostas pelo relevo e pela vegetação (G1, 2026).

A Polícia Civil instaurou procedimento para apurar as circunstâncias do acidente, enquanto os órgãos de emergência reforçaram orientações para que trilhas em áreas de risco sejam realizadas com planejamento, equipamentos adequados e, sempre que possível, acompanhamento de condutores experientes (G1, 2026).

O episódio ocorreu poucos dias após outro acidente fatal em Maricá, durante uma atividade de rapel na Gruta do Spar, demonstrando que atividades em ambientes naturais exigem permanente atenção à gestão da segurança.

Embora o Brasil não possua um sistema nacional consolidado para estatísticas de acidentes em turismo de aventura, dados operacionais dos Corpos de Bombeiros apontam crescimento das ocorrências relacionadas a trilhas, montanhas, cachoeiras e cavernas, acompanhando o aumento da procura por atividades ao ar livre.

As ocorrências mais frequentes envolvem quedas em altura, escorregamentos, afogamentos, perda de orientação, exaustão física, acidentes em escaladas e incidentes durante atividades de rapel.

No cenário internacional, estudos da International Commission for Alpine Rescue (ICAR) indicam que as quedas representam uma das principais causas de mortes em montanhismo e caminhadas em áreas de elevada exposição. Nos Estados Unidos, parques nacionais como Grand Canyon, Yosemite e Zion registram fatalidades anualmente, principalmente associadas a quedas em penhascos, desidratação, condições climáticas adversas e comportamento de risco (ICAR, 2024; National Park Service, 2024).

Casos semelhantes ocorreram recentemente no Brasil e no exterior. Em junho de 2026, uma praticante morreu durante uma atividade de rapel na Gruta do Spar, também em Maricá. No mesmo período, a morte da brasileira Juliana Marins durante uma trilha no Monte Rinjani, na Indonésia, chamou a atenção para os desafios enfrentados pelas equipes de resgate em ambientes remotos.

Acidentes com características semelhantes também são registrados regularmente em parques nacionais norte-americanos e nas regiões alpinas da Europa, onde quedas em penhascos, perda de equilíbrio e exposição excessiva ao risco permanecem entre as principais causas de fatalidades.

Sob a perspectiva da Engenharia de Segurança Proativa, desenvolvida por Washington Ramos Barbosa, acidentes dessa natureza devem ser analisados além do evento final. A metodologia propõe identificar sinais precursores, fragilidades nas barreiras de segurança, fatores humanos, condições ambientais e aspectos organizacionais que contribuíram para o aumento da exposição ao risco (BARBOSA).

Essa abordagem procura responder não apenas por que o acidente aconteceu, mas principalmente quais oportunidades de prevenção deixaram de ser percebidas antes da ocorrência da tragédia. O objetivo é fortalecer a capacidade dos sistemas de identificar precocemente condições inseguras e atuar antes que elas evoluam para acidentes.

As contribuições de Michel Llory complementam essa análise ao destacar que acidentes maiores devem produzir aprendizagem organizacional. Segundo o autor, preservar a memória dos acidentes é fundamental para evitar que as mesmas falhas sejam repetidas em diferentes contextos (LLORY, 1999).

Entre as principais medidas preventivas aplicáveis ao turismo de aventura destacam-se a identificação prévia dos perigos, avaliação dos riscos, planejamento das atividades, utilização de equipamentos apropriados, acompanhamento por guias qualificados, respeito às sinalizações, monitoramento das condições meteorológicas, treinamento em percepção de riscos e elaboração de planos de resposta a emergências.

Conclusão

O acidente fatal ocorrido na Pedra do Macaco representa mais um alerta para a necessidade de fortalecer a segurança nas atividades de turismo de aventura.

O crescimento da visitação em ambientes naturais deve ser acompanhado pela ampliação das ações de prevenção, melhoria da infraestrutura, qualificação dos condutores, educação dos praticantes e fortalecimento das políticas de gestão de riscos.

A Engenharia de Segurança Proativa de Washington Ramos Barbosa oferece uma contribuição relevante ao direcionar a atenção para a identificação antecipada dos sinais de degradação da segurança, permitindo que riscos sejam controlados antes da ocorrência dos acidentes.

Associada às contribuições de Michel Llory sobre aprendizagem organizacional e memória dos acidentes, essa abordagem fortalece uma cultura de prevenção baseada no conhecimento, na melhoria contínua e na preservação da vida.

Referências

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR ISO 21101: Turismo de aventura — Sistema de gestão da segurança — Requisitos. Rio de Janeiro: ABNT, 2019.

BARBOSA, Washington Ramos. Engenharia de Segurança Proativa: o Método Brasileiro de Prevenir Tragédias. Publicações científicas e técnicas do autor.

INTERNATIONAL COMMISSION FOR ALPINE RESCUE (ICAR). Annual Rescue Statistics. 2024.

LLORY, Michel. Acidentes Industriais: o Custo do Silêncio. Lisboa: Instituto Piaget, 1999.

NATIONAL PARK SERVICE. Visitor Safety Statistics. 2024.

G1. Vídeo mostra homem em trilha rumo à Pedra do Macaco antes de morrer ao cair do penhasco. Reportagem publicada em 29 de junho de 2026.

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É necessário desenvolver estudos aprofundados sobre grandes acidentes/tragédias, descobri que existem poucos estudos de destaque nesta área, quando desenvolvi minha tese de doutorado, assim como Vaughan em 1999 em um artigo sobre o lado negro das Organizações. É importante compreender como ocorre a Construção Social dos Riscos e congregar as contribuições da Engenharia, da Sociologia e da Psicologia sobre este tema, o Fator Humano/Erro Humano é a ponta do Iceberg, uma proposta neste sentido com o objetivo de Prevenir Acidentes Graves em:

Link do e-book eletrônico da Capacitação da Prevenção de Acidentes Maiores, acesso livre e com mais de 4.900 leituras:

https://www.researchgate.net/publication/376613455_Ebook_Capacitacao_na_Prevencao_de_Acidentes_Maiores_atraves_da_Abordagem_da_Seguranca_Proativa_O_Fator_e_o_Erro_Humano_sao_a_Ponta_do_Iceberg

Mais em:

Mais informações da ESP em:

https://gestaoproativawb.blogspot.com/2026/05/engenharia-de-seguranca-proativa-o_7.html

Saudações,

Prof. Eng. Washington Barbosa, DSc pela COPPE/UFRJ - Gestão de Riscos, com atuação profissional desde 1984 em organizações nas funções técnicas e de gestão 

Idealizador da Engenharia de Segurança Proativa (ESP): O Método Brasileiro para Prevenir Tragédias 

Vamos Transformar a Gestão da Segurança Fragilizada e Teórica para Eficaz e Prática através da ESP




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