Abordagem Psicossociológica na Gestão Organizacional: Uma Análise Crítica de Michel Llory
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Abordagem Psicossociológica na Gestão Organizacional: Uma Análise Crítica de Michel Llory
A análise do trabalho de Michel Llory revela uma das críticas mais contundentes à visão puramente técnica da segurança, focando na dimensão psicossociológica das organizações de alto risco. Para Llory, os acidentes não são frutos de uma falha técnica isolada ou de uma Ação Humana descontextualizada, mas sim o resultado de uma patologia organizacional silenciosa. Ele defende que a segurança deve ser compreendida através do estudo profundo das relações de trabalho, do poder, da comunicação e da Inteligência Psicossocial, argumentando que a verdadeira origem das tragédias reside na cegueira das chefias e no isolamento dos especialistas em relação ao Trabalho Real.
Em sua abordagem, Llory destaca que as organizações frequentemente criam fachadas de segurança por meio de excesso de normas e burocracia, enquanto a Gestão Organizacional ignora as tensões e os conflitos internos que degradam as barreiras de defesa. Ele propõe que a Engenharia de Segurança Proativa deve considerar os fatores subjetivos, como o medo de relatar problemas, a pressão hierárquica e a desvalorização do saber operacional. Sua análise de desastres como o de Three Mile Island demonstra que os sinais de alerta estavam presentes, mas foram filtrados por uma estrutura que privilegiava o silêncio e a conformidade em vez da transparência técnica.
As boas práticas fundamentais derivadas do trabalho de Llory incluem a implementação de diagnósticos organizacionais profundos, que vão além de auditorias de conformidade para escutar o que os trabalhadores têm a dizer sobre seus dilemas cotidianos. Uma prática essencial é o fortalecimento do papel das lideranças intermediárias, garantindo que elas atuem como pontes de comunicação e não como bloqueios. Ele também defende a democratização do conhecimento sobre riscos, promovendo uma cultura onde o debate técnico é encorajado e as vozes dissidentes são valorizadas como um Fator Contribuinte vital para evitar a cristalização de erros sistêmicos.
Locais e setores de implementação das ideias de Michel Llory incluem o setor nuclear francês (EDF), que tem sido o principal campo de aplicação de suas teorias para evitar a opacidade nas comunicações internas. Empresas de grande porte no setor químico e petroquímico na Europa também adotam suas metodologias de análise para identificar falhas na estrutura de comando e na circulação de informações críticas. Além disso, o setor de transporte ferroviário e a aviação civil utilizam seus conceitos para reformular treinamentos de liderança, focando na gestão de crises sob uma perspectiva psicossocial. Institutos de pesquisa e órgãos reguladores de segurança industrial na América Latina e Europa utilizam seus referenciais para capacitar inspetores a identificar sintomas de degradação organizacional antes que ocorram falhas catastróficas.
Em síntese, o legado de Michel Llory ensina que a segurança é uma construção social e política dentro da empresa. Uma organização segura, sob esta ótica, é aquela que possui a coragem de enfrentar suas próprias contradições e que investe no fator humano como a principal salvaguarda contra a complexidade técnica.

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