Terremoto na Venezuela deixa centenas de mortos e reforça a importância da gestão proativa de riscos

 


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Terremoto na Venezuela deixa centenas de mortos e reforça a importância da gestão proativa de riscos

Por Washington Barbosa 

Meus sentimentos ao familiares e amigos das vítimas desta tragédia. 

Resumo

Os terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5 que atingiram o norte da Venezuela em 24 de junho de 2026 configuram um dos maiores desastres naturais da história recente da América do Sul. Em 26 de junho, o balanço oficial apontava 920 mortos, cerca de 3.360 feridos, centenas de desaparecidos e milhares de desabrigados, enquanto equipes nacionais e internacionais permaneciam nas operações de busca e salvamento (G1, 2026; EL PAÍS, 2026). O desastre evidencia a necessidade de investimentos contínuos em engenharia sísmica, gestão de riscos, infraestrutura resiliente e planejamento de emergências. Este artigo analisa o evento sob a ótica da prevenção, apresentando estatísticas mundiais e brasileiras sobre terremotos e discutindo as contribuições da Engenharia de Segurança Proativa para a redução dos impactos de eventos extremos.

Introdução

Os terremotos constituem um dos fenômenos naturais mais destrutivos do planeta. Embora sua ocorrência não possa ser evitada, seus impactos podem ser significativamente reduzidos mediante planejamento urbano, normas construtivas adequadas, monitoramento geológico e sistemas eficientes de resposta às emergências (USGS, 2026).

O desastre ocorrido na Venezuela demonstrou como a combinação entre elevada magnitude sísmica, vulnerabilidade estrutural e limitações na capacidade de resposta potencializa as perdas humanas, sociais e econômicas. Em poucas horas, bairros inteiros foram destruídos, hospitais sofreram danos, vias de transporte foram interrompidas e milhares de famílias perderam suas residências (G1, 2026; EL PAÍS, 2026).

Desenvolvimento

Segundo informações divulgadas pelas autoridades venezuelanas, dois terremotos consecutivos de magnitudes 7,2 e 7,5 ocorreram com intervalo inferior a um minuto. Esse fenômeno, conhecido como dupleto sísmico, ampliou significativamente o potencial destrutivo, pois diversas estruturas fragilizadas pelo primeiro abalo colapsaram durante o segundo tremor (EL PAÍS, 2026).

Em atualização divulgada em 26 de junho de 2026, o número oficial de vítimas alcançou 920 mortos e aproximadamente 3.360 feridos. As regiões de La Guaira e Caracas concentraram os maiores danos, incluindo o colapso de edifícios residenciais, hospitais, escolas, pontes e instalações públicas. Equipes internacionais de resgate foram mobilizadas para apoiar as operações de busca por sobreviventes e atendimento às vítimas (G1, 2026; EL PAÍS, 2026).

Do ponto de vista geológico, a Venezuela situa-se na interação entre a Placa do Caribe e a Placa Sul-Americana, região caracterizada por intensa atividade tectônica. O acúmulo de tensões ao longo das falhas geológicas favorece a ocorrência de terremotos de elevada magnitude, tornando indispensáveis investimentos contínuos em engenharia sísmica e planejamento territorial (USGS, 2026).

Sob a perspectiva da Engenharia de Segurança Proativa, a tragédia demonstra que a prevenção deve anteceder a resposta emergencial. A identificação antecipada das vulnerabilidades, o fortalecimento das barreiras de segurança, a manutenção das edificações críticas, a preparação das equipes de emergência e a construção de uma cultura organizacional voltada para a prevenção representam medidas fundamentais para reduzir perdas humanas e materiais (BARBOSA, 2024).

Essa abordagem converge com os estudos de Michael Llory, segundo os quais grandes acidentes resultam da interação entre fatores técnicos, humanos, organizacionais e institucionais, sendo agravados quando sucessivas barreiras de segurança deixam de cumprir sua função preventiva (LLORY, 1999).

Estatísticas sobre terremotos

Segundo o United States Geological Survey, ocorrem aproximadamente 500 mil terremotos por ano em todo o mundo. Destes, cerca de 100 mil são percebidos pela população e aproximadamente 100 a 150 provocam danos significativos. Cerca de 90% dos terremotos concentram-se no Anel de Fogo do Pacífico, principal região de atividade tectônica do planeta (USGS, 2026).

No Brasil, devido à localização no interior da Placa Sul-Americana, a atividade sísmica apresenta baixa intensidade quando comparada aos países andinos. Ainda assim, a Rede Sismográfica Brasileira registra centenas de pequenos tremores anualmente, normalmente inferiores à magnitude 4,0 e sem danos estruturais relevantes (RSBR, 2026).

Conclusão

O terremoto ocorrido na Venezuela evidencia que desastres naturais continuam representando um dos maiores desafios para governos, organizações e sociedades. Embora os fenômenos geológicos sejam inevitáveis, seus impactos dependem diretamente da qualidade das políticas públicas, das normas de engenharia, da preparação institucional e da capacidade de resposta construída antes da ocorrência do evento.

Sob essa perspectiva, a Engenharia de Segurança Proativa amplia o enfoque tradicional da segurança ao priorizar a antecipação dos riscos, a eliminação das vulnerabilidades e o fortalecimento das barreiras organizacionais. Associada às contribuições de Michael Llory sobre acidentes organizacionais, essa abordagem demonstra que a redução das perdas humanas, sociais e econômicas depende menos da intensidade do evento natural e mais da eficiência dos sistemas preventivos implementados.

Referências

BARBOSA, Washington Ramos. Engenharia de Segurança Proativa. Publicações técnicas e artigos científicos. 2024.

EL PAÍS. Última hora del terremoto en Venezuela, en directo: Venezuela eleva a 920 la cifra de muertos y suma más de 3.000 heridos. Madrid: El País, 26 jun. 2026.

G1. Número de mortos em terremoto na Venezuela sobe para 920. Rio de Janeiro: Grupo Globo, 26 jun. 2026.

LLORY, Michael. Acidentes industriais: o custo do silêncio. Rio de Janeiro: MultiMais, 1999.

REDE SISMOGRÁFICA BRASILEIRA. Monitoramento da atividade sísmica brasileira. Brasília: RSBR, 2026.

UNITED STATES GEOLOGICAL SURVEY. Earthquake Hazards Program. Reston: USGS, 2026.

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É necessário desenvolver estudos aprofundados sobre grandes acidentes/tragédias, descobri que existem poucos estudos de destaque nesta área, quando desenvolvi minha tese de doutorado, assim como Vaughan em 1999 em um artigo sobre o lado negro das Organizações. É importante compreender como ocorre a Construção Social dos Riscos e congregar as contribuições da Engenharia, da Sociologia e da Psicologia sobre este tema, o Fator Humano/Erro Humano é a ponta do Iceberg, uma proposta neste sentido com o objetivo de Prevenir Acidentes Graves em:

Link do e-book eletrônico da Capacitação da Prevenção de Acidentes Maiores, acesso livre e com mais de 4.700 leituras:

https://www.researchgate.net/publication/376613455_Ebook_Capacitacao_na_Prevencao_de_Acidentes_Maiores_atraves_da_Abordagem_da_Seguranca_Proativa_O_Fator_e_o_Erro_Humano_sao_a_Ponta_do_Iceberg

Mais em:

Mais informações da ESP em:

https://gestaoproativawb.blogspot.com/2026/05/engenharia-de-seguranca-proativa-o_7.html

Saudações,

Prof. Eng. Washington Barbosa, DSc pela COPPE/UFRJ - Gestão de Riscos, com atuação profissional desde 1984 em organizações nas funções técnicas e de gestão 

Idealizador da Engenharia de Segurança Proativa (ESP): O Método Brasileiro para Prevenir Tragédias 

Vamos Transformar a Gestão da Segurança Fragilizada e Teórica para Eficaz e Prática através da ESP



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