Terremoto na Venezuela: prevenção continua sendo a principal barreira contra grandes tragédias

 


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Revista Proteção 

Terremoto na Venezuela: prevenção continua sendo a principal barreira contra grandes tragédias

Por Washington Barbosa

02/07/2026

O terremoto que atingiu a Venezuela em junho de 2026, deixando centenas de mortos, milhares de feridos e extensos danos à infraestrutura, representa mais do que um desastre natural. Trata-se de um alerta para governos, organizações e profissionais da gestão de riscos sobre a necessidade de fortalecer uma cultura de prevenção capaz de reduzir os impactos de eventos extremos.

Embora terremotos sejam fenômenos naturais inevitáveis, as tragédias humanas decorrentes deles não dependem exclusivamente da intensidade dos abalos sísmicos. A dimensão das perdas está diretamente relacionada ao grau de preparação das cidades, à qualidade das edificações, ao planejamento urbano, à capacidade de resposta das instituições e à existência de sistemas eficientes de gestão de riscos.

Segundo informações divulgadas pelas autoridades venezuelanas, dois fortes terremotos ocorreram em intervalo inferior a um minuto, produzindo sucessivos colapsos estruturais em edifícios, hospitais, escolas, vias de transporte e instalações públicas. Em poucos dias, o número oficial de vítimas ultrapassou 900 mortos, além de milhares de feridos e pessoas desalojadas. A tragédia mobilizou equipes internacionais de busca e salvamento e evidenciou os enormes desafios enfrentados durante operações em cenários de destruição em larga escala.

FRAGILIDADES

A Venezuela encontra-se em uma região de intensa atividade tectônica, situada entre as placas do Caribe e da América do Sul. Entretanto, a localização geográfica, por si só, não explica a magnitude dos impactos observados. Em diversos países sujeitos à mesma ameaça sísmica, políticas consistentes de prevenção, normas rigorosas de engenharia e investimentos contínuos em infraestrutura resiliente têm reduzido significativamente o número de vítimas em eventos semelhantes.

Esse cenário reforça um princípio fundamental da Engenharia de Segurança Proativa: acidentes e desastres raramente são consequência apenas do evento iniciador. Na maioria das vezes, eles resultam da combinação de vulnerabilidades acumuladas ao longo do tempo, envolvendo fatores técnicos, humanos, organizacionais e institucionais. Quando essas fragilidades permanecem sem tratamento, um único evento natural pode desencadear uma sucessão de falhas com consequências catastróficas.

As contribuições de Michael Llory sobre acidentes organizacionais seguem atuais ao demonstrar que grandes tragédias normalmente revelam deficiências sistêmicas existentes muito antes da ocorrência do evento crítico. A prevenção, portanto, deve concentrar esforços na identificação precoce dessas vulnerabilidades, fortalecendo continuamente as barreiras de proteção antes que elas sejam colocadas à prova.

ANTECIPAÇÃO DE RISCOS

Mesmo em países como o Brasil, onde a atividade sísmica apresenta baixa intensidade quando comparada à região andina, a lição permanece válida. A gestão de riscos não deve limitar-se aos eventos mais frequentes, mas considerar também cenários de baixa probabilidade e elevado impacto, especialmente em hospitais, barragens, instalações industriais, sistemas de transporte e demais infraestruturas críticas.

O desastre venezuelano reforça que prevenir tragédias exige muito mais do que respostas eficientes após a ocorrência do desastre. Exige liderança, planejamento, investimentos permanentes, aprendizado organizacional e compromisso institucional com a segurança. É justamente nesse contexto que a Engenharia de Segurança Proativa propõe uma mudança de paradigma: substituir a atuação predominantemente reativa por uma gestão orientada pela antecipação dos riscos, pela eliminação das vulnerabilidades e pelo fortalecimento das barreiras preventivas.

Cada grande desastre representa uma oportunidade para aprender. A verdadeira prevenção, entretanto, consiste em aprender antes que novas tragédias aconteçam.


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É necessário desenvolver estudos aprofundados sobre grandes acidentes/tragédias, descobri que existem poucos estudos de destaque nesta área, quando desenvolvi minha tese de doutorado, assim como Vaughan em 1999 em um artigo sobre o lado negro das Organizações. É importante compreender como ocorre a Construção Social dos Riscos e congregar as contribuições da Engenharia, da Sociologia e da Psicologia sobre este tema, o Fator Humano/Erro Humano é a ponta do Iceberg, uma proposta neste sentido com o objetivo de Prevenir Acidentes Graves em:

Link do e-book eletrônico da Capacitação da Prevenção de Acidentes Maiores, acesso livre e com mais de 4.900 leituras:

https://www.researchgate.net/publication/376613455_Ebook_Capacitacao_na_Prevencao_de_Acidentes_Maiores_atraves_da_Abordagem_da_Seguranca_Proativa_O_Fator_e_o_Erro_Humano_sao_a_Ponta_do_Iceberg

Mais em:

Mais informações da ESP em:

https://gestaoproativawb.blogspot.com/2026/05/engenharia-de-seguranca-proativa-o_7.html

Saudações,

Prof. Eng. Washington Barbosa, DSc pela COPPE/UFRJ - Gestão de Riscos, com atuação profissional desde 1984 em organizações nas funções técnicas e de gestão 

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