INCÊNDIO EM RESORT NO CARIBE EXPÕE DESAFIOS CRÍTICOS DE SEGURANÇA CONTRA INCÊNDIOS

 


INCÊNDIO EM RESORT NO CARIBE EXPÕE DESAFIOS CRÍTICOS DE SEGURANÇA CONTRA INCÊNDIOS

Por Washington Barbosa 

Resumo

Um incêndio de grandes proporções atingiu, em 19 de junho de 2026, o resort Viva Wyndham Dominicus Beach, localizado em Bayahibe, na República Dominicana, provocando a morte de uma turista italiana, deixando feridos e exigindo a evacuação de aproximadamente 1.700 hóspedes e trabalhadores. O evento evidenciou vulnerabilidades relacionadas aos materiais combustíveis empregados em estruturas turísticas, à rápida propagação das chamas impulsionada pelos ventos e à necessidade de sistemas robustos de prevenção e resposta a emergências (REUTERS, 2026; FOLHA DE S.PAULO, 2026).

Introdução

Os incêndios em hotéis e resorts representam uma das mais graves ameaças à segurança de ocupantes em edificações destinadas ao turismo. A elevada concentração de pessoas, a presença de materiais combustíveis, a complexidade das rotas de fuga e a necessidade de evacuações rápidas tornam esses eventos potencialmente catastróficos (NFPA, 2025).

O incêndio ocorrido no resort Viva Wyndham Dominicus Beach ganhou repercussão internacional devido à sua magnitude e ao elevado número de pessoas retiradas da área de risco. Informações preliminares apontam que estruturas compostas por materiais vegetais e condições meteorológicas adversas contribuíram para a rápida propagação das chamas (FOLHA DE S.PAULO, 2026; REUTERS, 2026).

Desenvolvimento

O incidente ocorreu em Bayahibe, importante destino turístico da República Dominicana. Segundo informações divulgadas pela imprensa internacional, o fogo se espalhou rapidamente pelo complexo hoteleiro, produzindo intensa fumaça e destruindo parte significativa das instalações. Uma turista italiana morreu em decorrência da inalação de fumaça, enquanto outras pessoas necessitaram de atendimento médico (REUTERS, 2026).

A evacuação envolveu aproximadamente 1.700 pessoas entre hóspedes e funcionários, exigindo uma ampla mobilização das equipes de emergência. As autoridades locais coordenaram a transferência dos ocupantes para outros empreendimentos da região e prestaram apoio logístico aos turistas afetados (ASSOCIATED PRESS, 2026).

As investigações iniciais indicam que os ventos intensos e a utilização de coberturas de palha em algumas áreas do resort favoreceram a rápida propagação do incêndio. Esse aspecto evidencia um desafio recorrente em instalações turísticas localizadas em regiões tropicais, nas quais elementos arquitetônicos decorativos podem aumentar significativamente a carga de incêndio quando não acompanhados por sistemas adequados de proteção (FOLHA DE S.PAULO, 2026).

Estatísticas de incêndios em hotéis e meios de hospedagem

No cenário internacional, incêndios em hotéis continuam ocorrendo regularmente, embora a severidade dos eventos tenha diminuído em países que adotaram regulamentações rigorosas de proteção contra incêndio. Um dos casos mais emblemáticos foi o incêndio do Hotel Dupont Plaza, em Porto Rico, ocorrido em 1986, que resultou em 99 mortes e 140 feridos, permanecendo como uma das maiores tragédias da história da hotelaria mundial (NFPA, 2025).

Dados da National Fire Protection Association indicam que os principais fatores associados aos incêndios em hotéis incluem falhas elétricas, equipamentos de cozinha, materiais combustíveis de acabamento e deficiências nos sistemas de detecção e combate ao fogo (NFPA, 2025).

No Brasil, registros de Corpos de Bombeiros Militares estaduais apontam que incêndios em edificações comerciais e de hospedagem possuem como causas predominantes as falhas em instalações elétricas, ausência de manutenção preventiva e sobrecargas em equipamentos elétricos (LIGA DOS CORPOS DE BOMBEIROS MILITARES DO BRASIL, 2024).

Sob a perspectiva da Engenharia de Segurança Proativa, proposta por Washington Ramos Barbosa, eventos dessa natureza devem ser analisados como falhas sistêmicas e não como consequência de um único erro ou condição insegura. O acidente emerge da interação entre fatores organizacionais, técnicos, humanos e ambientais, exigindo uma abordagem integrada de gestão de riscos (BARBOSA, 2024).

A análise também encontra respaldo nos estudos de Michel Llory, que defende que acidentes maiores são resultados de degradações progressivas dos sistemas organizacionais e das barreiras de proteção, muitas vezes invisíveis até a ocorrência do evento crítico (LLORY; MONTMAYEUL, 2014).

Conclusão

O incêndio no Viva Wyndham Dominicus Beach representa um importante alerta para o setor turístico mundial. A morte de uma turista, os feridos e a evacuação de aproximadamente 1.700 pessoas demonstram que incêndios em instalações de hospedagem continuam apresentando elevado potencial de impacto humano, operacional e reputacional (REUTERS, 2026).

O caso reforça a necessidade de investimentos contínuos em proteção contra incêndios, avaliação criteriosa dos materiais construtivos, treinamento de brigadas, realização de simulados e fortalecimento da cultura de prevenção. Sob uma abordagem sistêmica e proativa, a gestão dos riscos deve ser incorporada desde a concepção do empreendimento até sua operação diária, reduzindo a probabilidade de eventos semelhantes e ampliando a resiliência organizacional (BARBOSA, 2024; LLORY; MONTMAYEUL, 2014).

Referências

ASSOCIATED PRESS. Dominican authorities help foreign tourists affected by a massive resort fire return home. New York: AP News, 2026.

BARBOSA, Washington Ramos. Engenharia de Segurança Proativa: fundamentos para prevenção de acidentes, gestão de riscos e aprendizagem organizacional. Rio de Janeiro: Engenharia de Segurança Proativa, 2024.

FOLHA DE S.PAULO. Incêndio em resort na República Dominicana mata hóspede; 1.700 são retirados. São Paulo: Folha de S.Paulo, 2026.

LLORY, Michel; MONTMAYEUL, René. O acidente e a organização. Belo Horizonte: Fabrefactum, 2014.

LIGA DOS CORPOS DE BOMBEIROS MILITARES DO BRASIL. Anuário Brasileiro de Incêndios. Brasília: LCBM, 2024.

NFPA. National Fire Protection Association. Fire Protection Handbook. Quincy: NFPA, 2025.

REUTERS. Woman killed and 1,700 evacuated after fire at Dominican Republic beach resort. Londres: Reuters, 2026.

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É necessário desenvolver estudos aprofundados sobre grandes acidentes/tragédias, descobri que existem poucos estudos de destaque nesta área, quando desenvolvi minha tese de doutorado, assim como Vaughan em 1999 em um artigo sobre o lado negro das Organizações. É importante compreender como ocorre a Construção Social dos Riscos e congregar as contribuições da Engenharia, da Sociologia e da Psicologia sobre este tema, o Fator Humano/Erro Humano é a ponta do Iceberg, uma proposta neste sentido com o objetivo de Prevenir Acidentes Graves em:

Link do e-book eletrônico da Capacitação da Prevenção de Acidentes Maiores, acesso livre e com mais de 4.700 leituras:

https://www.researchgate.net/publication/376613455_Ebook_Capacitacao_na_Prevencao_de_Acidentes_Maiores_atraves_da_Abordagem_da_Seguranca_Proativa_O_Fator_e_o_Erro_Humano_sao_a_Ponta_do_Iceberg

Mais em:

Mais informações da ESP em:

https://gestaoproativawb.blogspot.com/2026/05/engenharia-de-seguranca-proativa-o_7.html

Saudações,

Prof. Eng. Washington Barbosa, DSc pela COPPE/UFRJ - Gestão de Riscos, com atuação profissional desde 1984 em organizações nas funções técnicas e de gestão 

Idealizador da Engenharia de Segurança Proativa (ESP): O Método Brasileiro para Prevenir Tragédias 

Vamos Transformar a Gestão da Segurança Fragilizada e Teórica para Eficaz e Prática através da ESP



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